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O primeiro volume da Revista Teológica Ígnea apresenta o temário Pentecostalismo e Sociedade. Apesar da amplitude do tema, o assunto limita-se à compreensão do conceito de “mundo” no pentecostalismo clássico e das relações entre pentecostalismo e identidades marginais – do pobre, da mulher e do negro – na sociedade. Os três artigos que discutem a questão acham-se na primeira seção do periódico sob o nome “dossiê”. Na segunda parte acham-se outros dois importantes artigos que não tratam do tema específico. Um deles é da área bíblica e o último da histórica. E, por fim, uma resenha de obra pentecostal.
O primeiro artigo do temário é de autoria de Esdras Costa Bentho, professor da faecad, doutor e mestre em Teologia pela PUC, RJ. O pesquisador debruçou-se sobre os conceitos de “mundo”, “mundanismo” e “mundano” na teologia pentecostal clássica, especificamente das Assembleias de Deus. A partir dos escritos dos pioneiros suecos nas lições de Escola Dominical, o articulista traz uma amostragem da evolução dos conceitos, de 1934 até 1950, e a reinterpretação dos herdeiros da tradição pentecostal, de 2005 até 2012. A hipótese é que o sentido de “mundo” é uma herança da leitura e interpretação da teologia joanina em vez de um legado dualista, gnóstico ou maniqueísta.
O segundo artigo é da lavra de Alessandro Rocha (in memorian), ex-professor da faecad, doutor em Teologia e pós-doutor em Letras, ambos pela PUC, RJ. O articulista privilegia a margem eclesial e social do pentecostalismo como tomada de consciência e centro da vida a partir da leitura de empoderamento de identidades marginalizadas. Destaca o meio social e marginal da qual emerge o pentecostalismo e a nova perspectiva eclesiástica e teológica surgidas a partir de um movimento liderado por operários negros, mulheres, crianças e pobres.
O último dossiê é da pena de Nelson Célio de Mesquita Rocha, professor da faecad, mestre e doutor em Teologia pela PUC, RJ. O ensaísta descreve os fundamentos teológicos e as bases experienciais que legitimam o pentecostalismo como movimento de cunho bíblico e integrador. A natureza da igreja e a experiência pentecostal dos carismas pneumatológicos são analisadas no âmago da teologia bíblica e sistemática. Deste modo, enfatiza a importância do movimento pentecostal para superação da segregação racial tanto nos EUA como no Brasil.
Na seção de artigos diversos encontram-se dois estudos bíblicos. O primeiro deles,
escrito por Leonardo dos Santos Silveira, professor da faecad, doutor e mestre em Teologia Bíblica pela PUC, RJ, investiga o status quaestionis da apocalíptica judaica e apresenta a tríade atual da pesquisa: apocalipse como gênero literário, apocalíptica como cosmovisão e apocalipcismo como movimento social.
O segundo artigo é uma contribuição de um ex-aluno da instituição, Paulo Jonas dos Santos Júnior, mestre em Ciências da Religião, pela Faculdade Unidade de Vitória. O ensaísta analisa o cristianismo no período medieval e as novidades, desafios e perspectivas filosóficas oriundas da Reforma Protestante.
Na última seção, resenhas, o professor da faecad, Lucas Gesta Palmares Munhoz de Paiva, mestre em História Social, pela UFERJ, analisa a obra Pentecoste e Pentecostalismo. De acordo com o resenhista, a presente obra “inova ao trazer uma abordagem integrada de vários campos de pesquisa, realizando uma leitura histórica, sociológica, antropológica e teológica da temática pentecostal”. Trata-se, portanto, de uma obra que usa vários instrumentos metodológicos para compreender o fenômeno pentecostal.
Com este primeiro número da Revista Teológica Ígnea, composto por cinco artigos e uma resenha, a faecad reforça seu compromisso com a pesquisa e formação acadêmica dos docentes (graduação e pós-graduação) e discentes que integram as fileiras colaborativas da instituição.
Agradecemos aos autores pela colaboração e interesse em compartilhar suas pesquisas. Convidamos aos leitores para refletirem a respeito das propostas teológicas, históricas e sociológicas que formam o corpus da Ígnea.
O sopro do Espírito se faça constante na igreja.
Rio de Janeiro, 03 de julho de 2026.
Esdras Costa Bentho
Editor
